Entenda o que é o multiverso e como Marvel e DC utilizam universos paralelos para criar diferentes versões de heróis e histórias
O que é o Multiverso?
Se você acompanha Marvel ou DC, é quase impossível não ter se deparado com a palavra “multiverso” pelo menos um trilhão de vezes nos últimos anos.
Esse conceito fala sobre a existência de vários universos que vivem lado a lado, cada um com suas próprias regras, realidades, heróis e histórias.
O multiverso não é apenas um recurso narrativo conveniente — ele mudou completamente a forma como histórias podem ser contadas dentro da cultura nerd. De repente, roteiristas ganharam liberdade para explorar possibilidades quase infinitas, abrindo espaço para novas séries, filmes e até teorias malucas que deixam os fãs debatendo por horas.
E preciso dizer: poucas franquias exploraram isso de forma tão ambiciosa quanto a Marvel.
Tudo bem, eu sou fã de carteirinha, mas se você já assistiu a Vingadores: Guerra Infinita, Vingadores: Ultimato, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa ou Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, então você já teve uma pequena amostra do que esse conceito pode fazer dentro das histórias.
Quem acompanha os quadrinhos já sabe que esse conceito de múltiplos universos já existe há muito tempo. Mas, nos últimos anos a Marvel passou a explorar o multiverso com muito mais força no cinema e nas séries.
Filmes e produções como Vingadores, WandaVision, Loki, Homem-Aranha e Doutor Estranho começaram a mostrar que o universo Marvel é muito maior do que parecia no início do MCU.
No multiverso, pequenas mudanças podem gerar realidades completamente diferentes.
Em um universo, um herói pode salvar o mundo.
Em outro… talvez ele nunca tenha existido. Ou pior: talvez ele tenha se tornado o vilão da história.
O Aranhaverso e o poder do multiverso
Se você ainda não assistiu, eu recomendo que assista Homem-Aranha no Aranhaverso, focado na história de Miles Morales, outro Homem-Aranha espalhado no multiverso. Ah, e preciso dizer: há quem diga que esse é um dos melhores Homem-Aranha.
Além de ser um filme de animação extremamente bonita e bem feita, ele também mostra de forma incrível como o multiverso pode funcionar dentro de uma história.
A trama reúne diferentes versões do Homem-Aranha vindas de realidades alternativas, cada uma com seu próprio estilo, personalidade e história.
O resultado é um dos exemplos mais criativos de como o multiverso pode ser usado para expandir um universo já conhecido sem perder a real essência dos personagens.
E, sinceramente, é impossível assistir e não se envolver com a jornada do Miles.
Quando pequenas mudanças criam novas histórias
Outro destaque que explora muito bem o conceito de multiverso é a série What If…?, disponível no Disney+.
A proposta da série é simples, mas genial: cada episódio mostra como o universo Marvel poderia ter sido se um evento tivesse acontecido de forma diferente. Cada episódio conta uma nova história.
E essas mudanças, apesar de breves, geram histórias completamente novas.
Logo no primeiro episódio, vemos Peggy Carter se tornando a primeira super-soldado, assumindo o papel que originalmente seria de Steve Rogers e se transformando na Capitã Carter.
Em outro episódio, o universo muda ainda mais quando T’Challa acaba se tornando o Senhor das Estrelas, ocupando o lugar que normalmente seria de Peter Quill.
Mas talvez um dos episódios mais impactantes da série seja o que mostra uma versão alternativa do Doutor Estranho.
Nessa realidade, ele não perde o controle das mãos no acidente que conhecemos pelo filme. Em vez disso, ele perde Christine, o grande amor de sua vida.
Consumido pela dor, Strange passa a estudar magia cada vez mais na tentativa de quebrar as leis do tempo e salvar sua amada.
E quanto mais ele tenta mudar o destino… mais perigosa a situação se torna.
É um episódio pesado — e extremamente fascinante.
Por que o multiverso é tão fascinante?
No fundo, o multiverso mexe com uma pergunta que todo mundo já fez alguma vez na vida:
E se as coisas tivessem acontecido de forma diferente?
E se eu tivesse escolhido outro caminho?
E se um herói tivesse falhado?
E se um vilão tivesse vencido?
Dentro do multiverso, todas essas possibilidades podem co-existir ao mesmo tempo.
E é justamente isso que torna esse conceito tão fascinante para quem gosta de histórias.
No mundo da ficção, o multiverso tem sido bastante usado em várias obras literárias e audiovisuais. Esse conceito permite que versões diferentes de personagens e histórias existam ao mesmo tempo, dando uma liberdade criativa sem limites. Por exemplo, em histórias de super-heróis, um mesmo personagem pode ter várias encarnações, refletindo escolhas, circunstâncias e linhas do tempo diferentes. Isso é bem visível nas narrativas da Marvel e da DC, onde heróis como o Spider-Man e o Batman têm várias versões que vivem em universos paralelos, cada uma com suas próprias histórias e dilemas pessoais.
Além de trazer uma variedade de histórias, o multiverso também serve para explorar temas mais complexos, como identidade e destino, chegando a simular mudanças em eventos canônicos das tramas. A conexão entre diferentes universos e dimensões permite que escritores e diretores façam narrativas ricas e variadas, alcançando um público diverso, curioso e engajado. Essa abordagem não só enriquece a história de cada personagem, mas também oferece aos fãs novas formas de se conectar com as histórias que eles amam, aumentando o apelo cultural das obras que falam sobre o multiverso.
O uso do multiverso na Marvel
O conceito de multiverso tem sido crucial na construção das histórias da Marvel, permitindo explorar várias realidades e versões de personagens icônicos. Um dos exemplos mais legais, na minha opinião, é a animação de O Homem-Aranha: No Aranhaverso, que traz várias versões do Homem-Aranha, cada uma com sua própria origem e trajetória. No filme, aparecem personagens como Miles Morales e Peter B. Parker, que não só dão novas perspectivas sobre o herói, mas também acrescentam uma diversidade incrível às histórias que podem ser contadas nesse universo.
Outro grande exemplo é 'Vingadores: Ultimato', onde a trama envolve viagens no tempo e diversas linhas temporais. Este filme aproveita a ideia de universos paralelos ao trazer de volta personagens que já tinham sido eliminados em outras histórias, permitindo que os fãs vejam novas dinâmicas e relações entre essas versões de heróis. O uso do multiverso não só traz mudança para os enredos, mas também gera debates entre os fãs, que discutem sobre quais versões de personagens são as mais autênticas ou interessantes.
Com o multiverso, a Marvel consegue criar histórias complexas e interligadas, além de dar uma chance aos fãs de verem seus personagens favoritos viverem novas histórias e tramas. Essa abordagem ajuda a introduzir novas ideias e narrativas, fazendo com que a Marvel esteja sempre atualizada e inovadora. Portanto, usar o multiverso é uma ferramenta poderosa que não só expande as possibilidades criativas, mas também visa engajar os fãs num diálogo constante sobre as novas maneiras de ver nossos heróis favoritos.
O uso do multiverso na DC
A DC Comics foi pioneira na introdução do conceito de multiverso nas suas histórias, uma ideia que começou na década de 1960. A primeira menção significativa a universos paralelos aconteceu na história "Flash of Two Worlds", publicada em 1961. Isso deixou os criadores livres para explorar versões alternativas de seus heróis favoritos, trazendo uma nova perspectiva e enriquecendo as histórias ao longo dos anos. Desde então, várias crises, como a famosa "Crise nas Infinitas Terras", têm sido fundamentais para organizar e reestruturar o multiverso da DC.
A "Crise nas Infinitas Terras", lançada em 1985, foi um ponto de virada nas histórias em quadrinhos, unindo diversos universos em uma única trama. Esse crossover não só redefiniu personagens icônicos, mas também eliminou algumas versões, criando uma narrativa mais consistente. As consequências das crises que vieram depois, como "Crise Final" e "Os Novos 52", continuam a moldar a forma como a DC lida com o multiverso, permitindo que novas versões de personagens clássicos surjam.
As revisitações de universos paralelos deram à DC um jeito flexível de atualizar suas histórias e personagens. Por exemplo, ao apresentar versões alternativas do Batman, Superman e Mulher-Maravilha, a DC consegue explorar temas contemporâneos e complexidades narrativas que talvez não fizessem sentido em uma linha do tempo única. Além disso, a popularização do multiverso também chegou às adaptações de cinema e TV, como nos filmes "The Flash" e na série "Crise nas Infinitas Terras", que mostram essa rica tapeçaria de universos com maestria e inovação.
Comparação entre Marvel e DC: quem usa melhor o multiverso?
A maneira como Marvel e DC usam o conceito de multiverso em suas histórias em quadrinhos mostra diferenças marcantes que refletem suas filosofias criativas. Enquanto a Marvel costuma usar universos paralelos de um jeito mais solto, a DC tem uma estrutura mais rígida e interconectada nas suas várias realidades.
No contexto da Marvel, o multiverso é amplamente explorado para mostrar diferentes versões de heróis famosos, oferecendo aos leitores novas visões sem mudar a essência dos personagens. Isso resulta em histórias dinâmicas e muitas vezes complexas, onde universos alternativos convivem com a linha principal, atraindo um público que adora inovação e diversidade criativa. A flexibilidade do multiverso da Marvel também permite respostas ágeis às mudanças nos gostos do público, favorecendo uma renovação constante das narrativas.
Por outro lado, a DC tende a focar mais na coesão narrativa em torno dos seus eventos. Com a reestruturação chamada "Crise nas Infinitas Terras", a editora procurou consolidar suas várias linhas de histórias, permitindo mais foco na continuidade e no desenvolvimento dos personagens. Essa estratégia pode limitar a liberdade criativa, mas cria uma base mais sólida e previsível, aumentando a lealdade dos fãs que preferem tradição e familiaridade nas suas histórias favoritas.
A interação dos fãs também é bem interessante. Os fãs da Marvel geralmente se envolvem em peso com as múltiplas realidades e o grande potencial para novas histórias, enquanto os fãs da DC costumam valorizar a construção cuidadosa de um universo mais coeso. Ambas as maneiras de ver as coisas impactam as expectativas para o futuro, já que a popularidade e a aceitação do multiverso nas adaptações para o cinema e TV podem influenciar como esses universos serão explorados nas próximas gerações.
O multiverso está só começando
Se tem uma coisa que o conceito de multiverso deixou bem claro nos últimos anos, é que as histórias estão bem longe de chegar ao fim.
E tanto a Marvel quanto a DC encontraram maneiras diferentes de explorar essa ideia. Enquanto a Marvel abraça o caos criativo de múltiplas realidades e versões alternativas de personagens, a DC costuma trabalhar com reestruturações menos bruscas para manter seu universo organizado.
Mas no fim das contas, para quem ama cultura nerd, isso significa apenas uma coisa: mais histórias para explorar.
O multiverso permite que personagens que conhecemos há décadas sejam reinventados, que encontros improváveis aconteçam e que novas interpretações surjam sem modificar os eventos canônicos que já existiam.
A Marvel, por exemplo, logo estará lançando Avengers: Doomsday, onde Robert Downey Jr. retornará ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU) como o vilão Victor von Doom (Doutor Destino), com previsão de estreia em 18 de dezembro de 2026 no território brasileiro.
E aí, estão ansiosos?
Quem sabe quais versões dos personagens ainda vamos conhecer?
Mas uma coisa é certa: se existe um lugar onde tudo pode acontecer ao mesmo tempo, esse lugar é o multiverso.
E, para nós fãs, acompanhar essas histórias é quase como abrir uma porta para infinitas possibilidades.
