Eren é herói ou vilão? A verdade por trás do protagonista de Attack on Titan

ANIMECURIOSIDADES NERD

Gabrielly Pompeo

3/18/20264 min ler

Poucos protagonistas na história dos animes dividiram tanto a opinião dos fãs quanto Eren Yeager de Attack on Titan.

Durante anos, acompanhamos sua jornada como o garoto que jurou destruir todos os titãs. Mas, conforme a história avançou, essa promessa se transformou em algo muito mais complexo—e muito mais sombrio.

A pergunta que fica é inevitável:

Afinal, Eren Yeager foi herói ou vilão?

É exatamente isso que vamos investigar neste artigo.

O início: o herói clássico que luta pela liberdade

No começo de Attack on Titan, Eren representa o personagem clássico do herói dos animes.

Ele é impulsivo, determinado e movido por um trauma profundo: assistir à morte de sua própria mãe. Sua motivação é clara desde então—eliminar os titãs e conquistar a liberdade que sempre lhe foi negada.

Confesso que, como espectadora, essa cena me deixou completamente transtornada. Não esperava nada assim logo no primeiro episódio.

Nessa fase, acredito falar por todos quando digo que ele era visto como o provável "herói" da trama.

Ele lutava pelos amigos.

Disposto a se sacrificar pela humanidade.

Sonhava com um mundo além das muralhas. E com poder fornecer isso aos seus amigos também.

Mas a obra, de forma brilhante, planta desde cedo uma ideia perigosa: Eren nunca lutou "apenas" por sobrevivência. Sempre lutou pela liberdade absoluta.

E liberdade absoluta tem um preço.

A virada: quando o inimigo deixa de ser um monstro

Com as revelações sobre Marley e o mundo exterior, Attack on Titan muda completamente.

Os titãs deixam de ser o grande mal.

Os verdadeiros conflitos agora tornam-se políticos, históricos e ideológicos.

É nesse momento que Eren começa a se transformar.

Ele entende que seu povo não luta apenas para sobreviver—luta para não ser exterminado. A ameaça não é mais uma criatura irracional. São as outras nações. Outros seres humanos.

Aqui surge o dilema central:

Se destruir seus inimigos for a única forma de proteger quem você ama… isso ainda é heroísmo?

O Estrondo: o ponto sem retorno

Quando Eren inicia o Rumbling (o famoso Estrondo), a discussão explode na comunidade de fãs.

Ele decide exterminar grande parte da humanidade fora da ilha. Não como estratégia, mas como solução definitiva.

É impossível ignorar a escala dessa decisão.

Ele não derrota um exército.

Ele destrói civilizações inteiras.

Para muitos, isso o transforma imediatamente em vilão.

Mas a obra insiste em complicar essa visão.

Eren acredita que:

  • Não existia outra saída

  • Que o ciclo de ódio nunca acabará

  • Alguém precisa se tornar o monstro para que outros possam viver

E ele aceita carregar esse papel.

E talvez o momento mais perturbador seja perceber que não faz isso com prazer… mas com convicção.

Eren como vilão: argumentos fortes

Existe uma leitura que coloca Eren como antagonista final da história.

Ele:

  • Escolhe o genocídio como solução

  • Manipula aliados e inimigos

  • Sacrifica milhares de inocentes

  • Provoca sofrimento global

Além disso, passa a agir quase como uma força da natureza ou uma espécie de Deus—algo que precisa ser parado.

Nesse sentido, Eren deixa de ser o protagonista tradicional e se torna o obstáculo final que os próprios amigos precisam (e devem) superar.

Isso é narrativamente poderoso.

Porque o verdadeiro clímax da obra não é derrotar titãs.

É derrotar alguém que você ama.

Eren como herói trágico: uma leitura igualmente válida

Por outro lado, muitos fãs enxergam Eren como uma espécie de "herói trágico".

Ele assume sozinho o peso das escolhas impossíveis.

Garantindo a sobrevivência de Paradis, pelo menos por um tempo.

Cria uma situação na qual seus amigos podem ser vistos como salvadores do mundo.

Em outras palavras:

Ele se transformou no vilão para que quem ele ama pudesse ser herói.

Essa interpretação reforça a ideia de destino e inevitabilidade que percorre toda a história. Eren não estaria apenas escolhendo… estaria cumprindo um caminho que já havia sido visto por ele.

Isso torna sua jornada muito menos sobre moralidade e mais sobre determinismo, sacrifício e responsabilidade.

Então… Eren é herói ou vilão?

A resposta mais honesta que encontrei é:

Ele consegue ser os dois.

Eren é herói para quem sobreviveu graças às suas ações.

Vilão para quem perdeu tudo por causa delas.

E talvez a grande genialidade de Attack on Titan seja justamente essa—mostrar que, em guerras reais, não existem narrativas puras.

Existem apenas perspectivas.

Eren começa como alguém que queria ver o mar.

Termina como alguém que afogou o mundo inteiro em busca de liberdade.

Inclusive, nos tempos atuais de guerra nos quais vivemos, tenho visto muitas pessoas comentando nas redes sociais que talvez agora fosse o momento exato para o Estrondo, meteoro, invasão alienígena ou estalar de dedos do Thanos. Qualquer coisa para salvar a humanidade... ou terminar com ela de vez ahaha

O próximo passo da análise

Toda essa discussão leva inevitavelmente a outra pergunta:

  • O plano final de Eren realmente fazia sentido?

  • Existia outra solução possível?

  • Ele venceu ou apenas adiou o inevitável?

É exatamente isso que vamos explorar no próximo artigo:

Final de Attack on Titan explicado: o plano do Eren fazia sentido?

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